No mundo da física quântica, as inovações que precederam toda
a tecnologia de hoje foram realizadas por homens até 30 anos, o próprio Einstein
contestou veementemente as maiores descobertas depois de velho.
Quando adolescente a visão a meu respeito quando tivesse 30
era bem diferente.
Bem... sempre sonhei em participar na mudança do mundo, meus
ideais pareciam claros, parecia que eu tinha as respostas das perguntas mais
complexas que afligiam a humanidade.
Hoje estou às vésperas dos 30, não que seja velho, mas
sempre achei que estaria mais maduro, teria mais certezas e as perguntas do
passado que dantes pareciam resolvidas foram refeitas e uma dezena a mais foi
acrescentada, às vezes parece que aquele garoto que ia mudar o mundo
agora assiste a tudo em cima do muro, os questionamentos da
puberdade voltaram num tom grave, as questões existenciais vieram á tona com
força, onde está o sentido de tudo isso?
Estou chegando aos trinta com mais cabelos brancos que a maioria,
com a aparência mais madura que a maioria e também com mais vivencias do que a
maioria, aos 17 fui fazer teologia, na sequencia fiz missiologia e transcultural,
parti para experiências com toda sorte de humanidades e desumanidades, a inocência
deu lugar ao realismo muito cedo, casei cedo aos 21, tive minha primeira filha
aos 23, cuideis de pessoas mais velhas, tive que aprender um pouco de tudo,
vivencias e experiências de muitas vidas, li e vi muita coisa, principalmente
dentro do mundo evangélico, depois de casado mudamos de casa quase 20 vezes na
maioria desfazendo das nossa coisas, vivíamos com o dinheiro do dia, aos 23 fui
fazer marketing, tive que acelerar o processo em alguns anos, cheguei aos 30 e
parece que vivi mais do que essas 3 rasas décadas.
Me encontrei e me desencontrei várias vezes nessas viagens,
hoje me dei um perdido que perdi o rumo, tenho uma necessidade de mudar muito
grande, detesto fazer o mesmo caminho, falar sempre a mesma coisa, mas
aconteceu algo, eu me enquadrei, entrei no sistema, virei mais um índio desse
capitalismo selvagem, penso igual aos outros.
E as perguntas... elas me atormentam, algumas muito outras
nem tanto, minha capacidade de auto questionamento é alta, as vezes me tiram o
sono.
Tenho um bom emprego, minha esposa é linda, minhas filhas é
bem mais que mereço, elas são tudo o que tenho de melhor, mas, confesso
abestalhado que estou decepcionado... comigo. Querem gratidão por ter chegado
até aqui... aqui onde? O que é aqui? Ou o que é Lá? Interessa-me o produto
final mais de quem sou do que onde cheguei.
Acredito que vivi apenas um terço do que irei viver por aqui neste estado, então o restante quero viver mais intensamente que a primeira parte.
Se acha que é exagero da minha parte, fique feliz e curta
bastante sua ignorância e alienação da existencialidade.
Não me preocupo, pois Ele está colocando a fagulha da eternidade em mim.