Finalidade

Mais do que escrever, gosto de ler o quê escrevo. O motivo é simples, eu mudo e mudo muito rápido, escrevo hoje e amanhã me acho estúpido.

Portanto, escrevo para mim, como um louco que escreve uma carta para ele mesmo e alguém o questiona sobre o quê está escrito, ele responde: Não sei, não recebi ainda!

Este é um diário público, um registro histórico, um raio-X da minha mente num dado momento da História, textos sem pretensões, limitados e um pouco pobre de gramática, mas rico em conteúdo, misturo leigamente algumas das ciências que estudo, misturo algumas linhas de pensamentos que acredito que sejam mais importantes, afinal não estou seguindo uma regra definida.

Caso algum texto contribua para algo, sinta-se em casa, mas saiba que você está na minha cabeça, está me lendo.

Como disse meu amigo e xará Fernando Pessoa: "Não escrevo em português. Escrevo eu mesmo."


quarta-feira, 30 de maio de 2012

Reflexão dessas 3 décadas


No mundo da física quântica, as inovações que precederam toda a tecnologia de hoje foram realizadas por homens até 30 anos, o próprio Einstein contestou veementemente as maiores descobertas depois de velho.

Quando adolescente a visão a meu respeito quando tivesse 30 era bem diferente.
Bem... sempre sonhei em participar na mudança do mundo, meus ideais pareciam claros, parecia que eu tinha as respostas das perguntas mais complexas que afligiam a humanidade.

Hoje estou às vésperas dos 30, não que seja velho, mas sempre achei que estaria mais maduro, teria mais certezas e as perguntas do passado que dantes pareciam resolvidas foram refeitas e uma dezena a mais foi acrescentada, às vezes parece que aquele garoto que ia mudar o mundo agora assiste a tudo em cima do muro, os questionamentos da puberdade voltaram num tom grave, as questões existenciais vieram á tona com força, onde está o sentido de tudo isso?

Estou chegando aos trinta com mais cabelos brancos que a maioria, com a aparência mais madura que a maioria e também com mais vivencias do que a maioria, aos 17 fui fazer teologia, na sequencia fiz missiologia e transcultural, parti para experiências com toda sorte de humanidades e desumanidades, a inocência deu lugar ao realismo muito cedo, casei cedo aos 21, tive minha primeira filha aos 23, cuideis de pessoas mais velhas, tive que aprender um pouco de tudo, vivencias e experiências de muitas vidas, li e vi muita coisa, principalmente dentro do mundo evangélico, depois de casado mudamos de casa quase 20 vezes na maioria desfazendo das nossa coisas, vivíamos com o dinheiro do dia, aos 23 fui fazer marketing, tive que acelerar o processo em alguns anos, cheguei aos 30 e parece que vivi mais do que essas 3 rasas décadas.

Me encontrei e me desencontrei várias vezes nessas viagens, hoje me dei um perdido que perdi o rumo, tenho uma necessidade de mudar muito grande, detesto fazer o mesmo caminho, falar sempre a mesma coisa, mas aconteceu algo, eu me enquadrei, entrei no sistema, virei mais um índio desse capitalismo selvagem, penso igual aos outros.

E as perguntas... elas me atormentam, algumas muito outras nem tanto, minha capacidade de auto questionamento é alta, as vezes me tiram o sono.

Tenho um bom emprego, minha esposa é linda, minhas filhas é bem mais que mereço, elas são tudo o que tenho de melhor, mas, confesso abestalhado que estou decepcionado... comigo. Querem gratidão por ter chegado até aqui... aqui onde? O que é aqui? Ou o que é Lá? Interessa-me o produto final mais de quem sou do que onde cheguei.

Acredito que vivi apenas um terço do que irei viver por aqui neste estado, então o restante quero viver mais intensamente que a primeira parte.

Se acha que é exagero da minha parte, fique feliz e curta bastante sua ignorância e alienação da existencialidade.


Não me preocupo, pois Ele está colocando a fagulha da eternidade em mim.