Don Richardson, no livro Fator Melquisedeque, expõe a influência de Deus nas culturas de povos e nações pagãs ao longo da História.
Para quem não conhece Melquisedeque, Rei de Salém era sacerdote do Altíssimo, um tipo de Cristo, pois não tinha ascendência nem origem.
Era um sacerdócio livre de genealogia e de limites humanos.
Nosso trabalho é enxergá-lo em qualquer lugar que Ele pôde ter deixado Sua Marca, independente do lugar.
Quando nós louvamos a Deus, de acordo com Dionísio, nós começamos com nomes tirados das coisas mais altas, mais divinas: unidade, trindade, bondade, beleza. Mas não há muitos deles, e quanto mais você pensa neles, mais você se dá conta de que, bem, quando se trata de dizer tudo o que há para se dizer sobre Deus, eles não servem muito bem. Então você segue para o próximo nível da existência, onde tem mais nomes e tenta: Deus é um pai, Deus é um Rei, Deus é Senhor, Deus é um pastor, Deus é um servo.
Você poderia prosseguir assim por um tanto de tempo, mas eventualmente vai se dar conta que ainda não é bem suficiente. Então você prossegue falando, louvando a Deus com ainda mais palavras, abrindo a rede do seu louvor até que ele abranja toda a criação, e você se dá conta de que para nomear Deus, para descrevê-lo completamente, você teria que usar todas as palavras que existem; você teria que achá-lo em cada coisa criada: Deus é como um ornitorrinco; Deus é como um lápis; Deus é como uma supernova; Deus é como uma baleia.
Mas você não pode só usar as coisas que são obviamente cool, ou bonitas, ou legais: tudo na criação inteira reflete Deus de alguma forma, e se você quiser fazer o trabalho de nomear Deus integralmente, você tem que ir a lugares menos respeitáveis. Dionísio disse que Deus se ira, que Deus fala palavrão; que Deus se entristece; que Deus dorme e acorda; que Deus se veste com roupas requintadas; Deus é um bêbado; Deus está de ressaca.
Desconfortável, não? Mas aí é que tá: se você não consegue ver algo de Deus nem mesmo na embriaguez, você não está olhando bem o suficiente. Se você está satisfeito em ir à igreja e a cantar as mesmas cinco músicas toda semana, sobre como Deus é Pai, Rei, Pastor, e todos aqueles outros clichês, você não está louvando o suficiente. Se você realmente quer saber quem Deus é, diz Dionísio, você tem que encontrá-lo em todo lugar. Em todo lugar.
Isto, que me impressiona, é um dos melhores argumentos para o conservadorismo, e para preservar culturas e línguas minoritárias. Quando o último Dodô morrer, perderemos uma oportunidade ímpar de compreender quem Deus é. Quando a última pessoa que fala Gaélico morrer, nunca seremos capazes de ver Deus através dos olhos de um Gaelicófono nativo.
Mas é também um ânimo dar boas-vindas à mudança e incentivar inovação: uma nova raça de cachorro significa um novo nome para Deus; nasce o iPod e com ele um novo olhar para o Criador de todas as coisas. Deus está em todo lugar: cultura alta, cultura baixa, animais em extinção, espécies invasivas. Se você não consegue vê-lo, você provavelmente não está olhando bem o suficiente. Deus é um bêbado.
Fonte: http://pavablog.blogspot.com/2010/03/deus-e-um-bebado.html
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